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A
DOUTRINA DE DEUS
A
palavra teologia, pode expressar todo o conjunto das disciplinas
bíblicas (bibliologia, teologia,
eclesiologia,
pneumatologia, cristologia etc) ou a pesquisa da filosofia da religião.
Também denomina uma face dos estudos escriturísticos, principalmente
o da doutrina de Deus.
O vocábulo teologia vem de duas palavras gregas, theós e lógos,
que significam Deus e estudo, respectivamente (ou seja, estudo de
Deus). O termo indica o estudo das coisas relativas a Deus, fazendo-nos
refletir sobre a natureza divina e suas obras, e até mesmo sobre
o seu (de Deus) relacionamento com a criação.
O campo teológico é muito amplo e precisamos demarcar algumas áreas
fundamentais para um estudo sério e legítimo. Para isso, usamos
a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, como fonte única e fundamental
ara conhecermos a Deus. Algumas perguntas devem ser formuladas,
mas devemos ter o cuidado de não limitarmos Deus aos padrões referenciais
que conhecemos. Portanto, o que precisamos saber sobre Deus nos
é revelado em sua própria Palavra. Devemos, primeiramente, estudar
sua natureza, depois, sim, seu relacionamento com sua criação.
DEUS EXISTE
Essa é a primeira premissa. As Escrituras não conhecem questionamento
à existência de Deus, pois Ele é a causa primeira. Além disso, crer
em sua existência é fundamental para conhecê-lo (Hb 11.6). Alguns
afirmam que Deus não existe e dizem: "é necessário que sua
existência seja cientificamente comprovada, então poderemos crer".
Esse argumento não é legítimo, pois falha em relação à capacidade
do homem em possuir ferramentas apropriadas para conhecer Deus.
Podemos exemplificar: enquanto a humanidade desconhecia o mecanismo
da Lei da gravidade, isso jamais a invalidou na prática. A ignorância
não anula a realidade.
O primeiro versículo das Escrituras (Gn 1.1) nos diz muito sobre
Deus: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Nessa
frase estão intrínsecas várias questões elementares. Deus antecede
a criação dos céus e da terra, e se Ele é antes dessa criação, não
está sujeito às leis ou limitações dessa criação. Então, o tempo,
o espaço e a matéria são elementos que devem ser excluídos de nossas
ferramentas para conhecermos Deus. Em outras palavras, Ele deve
ser atemporal, imensurável e imaterial.
Verificamos
nas Escrituras o testemunho dessas características (Is 48.12;1Re
8.27; Jo 4.24). Além disso, quando um israelita recitava o primeiro
versículo da Bíblia, isso lhe fazia questionar os povos ao redor.
As nações ao redor de Israel adoravam os corpos celestes como se
fossem divindades. Daí, o israelita meditava: "Se Deus criou
os céus e a terra, então o que há nos céus e na terra não deve ser
Deus; Deus deve ser superior às coisas criadas". Diversos salmos
transmitem essa meditação (69.34; 89.11;102.25;135.6).
COMO CONHECEREMOS DEUS?
Consideremos apenas alguns argumentos que corroboram com a existência
de Deus, depois consideraremos as Escrituras, fonte incomparável
do estudo teológico.
O argumento cosmológico. Afirma que tudo no universo físico teve
uma causa, ainda que a evolução apresente uma fileira interminável
de causas, certamente chegaremos a uma "causa primária",
uma causa maior do que qualquer dos seus efeitos. Causa essa que
originou tudo (Rm 11.35,36).
O argumento teleológico. Toda a imensidade do universo, toda a multiforme
existência de vida na terra e toda a complexidade dos seres vivos,
principalmente a do ser humano (sua inteligência e moralidade) apontam
para um Criador e Sustentador de todas as coisas (Is 40.26; Jo 1.1-3;
Cl 1.15,17).
O argumento moral. A moralidade está presente em todas as culturas
e raças da humanidade. Se tirarmos seus referenciais supersticiosos,
veremos na humanidade um princípio moral. O apóstolo Paulo escreveu:
"Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente
as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são
lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando
juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os,
quer defendendo-os; no dia em que Deus há de julgar os segredos
dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho". (Rm
2.14-16).
O argumento da história. A história demonstra a evidência de uma
providência dominante. As profecias bíblicas, a respeito de muitas
nações, alcançaram cumprimento (Jeremias, Isaías, Ezequiel, Daniel
e também os chamados Profetas Menores). A própria subsistência da
nação de Israel aponta para a providência divina (Jr 1.10).
A CRIAÇÃO REVELA DEUS
A criação é como que um "livro" que anuncia ou leva a
assinatura de seu criador: "Porque as suas coisas invisíveis,
desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade,
se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas"
(Rm 1.20). A terra (e tudo que existe na natureza) e os céus (e
tudo o que existe no universo) testificam de um Deus criador, poderoso
e eterno. Os capítulos 38 a 41 do livro de Jó são um testemunho
à obra criativa de Deus. A grandeza da criação e sua diversidade
e a imensidão do universo têm muito a dizer a respeito do poder
e da sabedoria de Deus.
AS ESCRITURAS REVELAM DEUS
Somente por meio da Bíblia teremos um conhecimento amplo e autenticado
sobre Deus. As Escrituras ensinam que Deus tem atributos que chamamos
de incomunicáveis: onisciência, onipresença e onipotência. Deus
é também atemporal. Ainda que a criatura receba graça de Deus, e
graça infinita, ela nunca alcançará a posição de Deus. Ainda que
a criação (isto é, os seres que vivem segundo Deus) possa crescer
infinitamente, ela nunca será Deus, e Deus nunca foi criatura.
Muitos homens são medidos pelo que escrevem.
E é justamente por meio da Palavra de Deus escrita que encontraremos
os atributos incomunicáveis de Deus (que pertencem somente a Ele)
e seus atributos comunicáveis (atributos esses produzidos pelo Espírito
de Deus naqueles que vivem diante dele).
Contudo, algumas dúvidas filosóficas e menções de críticos devem
ser respondidas. Refiro-me a questionamentos do tipo: "Se tudo
é possível para Deus, não há limites para Ele?", "Tem
Ele uma luta pessoal e eterna com o mal?" e "Se eu fosse
Deus já teria...".
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"Se eu fosse Deus..." Essa é uma exclamação muito conhecida
em tempos de crise, calamidade ou indignação com alguma injustiça
supostamente originada em Deus. Devido às injustiças que todos presenciamos,
muitos chegam a questionar o caráter e a existência de Deus. "Se
existe um Deus, onde Ele está? Por que não se apresenta e resolve
os problemas da humanidade?", indagam os céticos. Além das
questões morais, encontramos posições filosóficas que criticam a
existência de Deus: "Se Ele existe e se tudo lhe é possível,
poderia criar algo superior a Ele mesmo?", questionam os filósofos.
DISCUSSÕES FILOSÓFICAS
O meio cultural tem afetado o conceito que os povos têm sobre Deus.
Teríamos, contudo, alguma base para conhecermos a Deus? Alguns vêem
em Deus um ser tão distante e ausente de sua vasta criação que um
relacionamento pessoal seria impossível, muito menos uma demonstração
de amor e envolvimento que satisfizesse os anseios humanos. Consideremos,
brevemente, como muitos "vêem" Deus em suas filosofias
e doutrinas. Depois, então, voltaremos às Escrituras Sagradas, seu
testemunho, e verificaremos o que Deus nos tem a dizer sobre sua
própria Pessoa.
O judaísmo compreende Deus segundo a luz do Antigo Testamento, possuindo,
dessa forma, muita coisa em comum com a compreensão cristã. Contudo,
as profecias messiânicas estão como que "suspensas" ou
espiritualizadas no Estado de Israel.
O islamismo cultua um Deus ultratranscendental com nenhum contato
ou relacionamento pessoal com o homem.
O hinduísmo vê um Deus único manifestado em milhões de divindades,
confundindo-se com o politeísmo e tomando emprestado noções panteístas:
"Tudo é Deus, Deus é tudo".
O budismo crê em uma força impessoal, organizadora de todo o universo,
que ilumina seus iniciados. Ainda muitos orientais crêem que todos
os humanos se tornam iluminados após a morte, aumentando infinitamente
a lista de seus deuses. Portanto, muitos dissociam a personalidade
da Divindade; outros compartilham a Divindade com muitas pessoas;
e ainda outros afirmam graus evolutivos de divindades.
Para sabermos realmente quem é Deus deveríamos ter em mão algum
testemunho dele mesmo com uma revelação pessoal e infalível. A verdade
é que temos seu testemunho registrado pelos quarenta escritores,
aproximadamente, da Bíblia ao longo de cerca de 1 500 anos.
A Palavra de Deus ultrapassa questões filosóficas e culturais, e
nos revela, em linguagem humana, os atributos de Deus. Podemos,
então, conhecê-lo. Mas devemos tomar o cuidado de não limita-lo
como homem, com características materiais, nem espiritualizá-lo
como uma força universal e impessoal, e muito menos como uma lei,
como algo abstrato.
Apesar da globalização, o mundo ocidental mantém conceitos culturais
e filosóficos bem diferentes dos orientais. Portanto, diferentes
questões filosóficas "fermentam" discussões entre céticos
e liberais, buscando provas para a ausência ou mesmo inexistência
de Deus. Perguntas como: "Se tudo é possível para Deus, então
não haveria limites para Ele?" poderiam ser formuladas da seguinte
maneira: "Se nada é impossível para Deus, então poderia Deus
criar algo ou alguém maior do que a si mesmo?". Ou: "Se
tudo é possível para Deus, por que, então, Ele não resolve a questão
do mal?".
Logo, se Deus não pode fazer algo assim, a solução seria que: ou
Ele é limitado ou realmente não existe!
AS ESCRITURAS - ÚNICA BASE PARA CONHECERMOS A DEUS
Em Marcos 10.27, lemos que "para Deus tudo é possível".
Contudo, não podemos ler essa passagem num contexto de filosofia
delirante - é necessário compreender que Deus é soberano e está
numa posição insuperável, nada poderia ser feito ou criado igual
ou acima dele mesmo. Mas isso, de nenhuma forma, "limita"
o Senhor Deus. Encontramos, sim, um desequilíbrio na afirmação filosófica
que usa critérios humanos para figurar a Divindade.
Eis aí a chave para tantos erros doutrinários nas seitas e nas reflexões
de pensadores liberais. O uso de um critério humano, material e
temporal para compreendermos a Deus causa inúmeras distorções! Como
poderemos compreender Deus? Somente mediante sua revelação. Se alguém
rejeita a Bíblia como a Palavra de Deus está fechando os olhos para
a única e exclusiva fonte que pode ajudá-lo a saber de fato quem
é Deus.
Somente
por meio das Escrituras podemos encontrar informações precisas que
esclareçam nossas dúvidas legítimas, pois elas são realmente a Palavra
de Deus. As Escrituras nos ensinam que Deus é uma Pessoa real que
possui atributos, alguns ímpares e outros, compartilhados com sua
criação. Em sua soberania e sabedoria, Deus jamais pode ser comparado
ao homem. Seus pensamentos (os de Deus) são incomparavelmente superiores
aos da sua criação, quer seja celestial ou humana. "Porque
assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus
caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos
mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55.9).
Além dessa disparidade entre Deus e sua criação, Deus é absoluto!
Sua justiça e imparcialidade são infalíveis, e não podem ser comparadas
com os critérios humanos. Outro aspecto que deve ser observado é
a abrangência do conhecimento de Deus; enquanto julgamos pelo que
vemos e pelo que ouvimos, Deus "não julgará segundo a vista
dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos"
(Is 11.3). Deus não vê como o homem vê: "O homem vê o exterior,
porém o SENHOR o coração" (1 Sm 16.7).
Portanto, as Escrituras nos ensinam que os critérios e os julgamentos
de Deus são absolutamente superiores aos nossos critérios, julgamentos,
opiniões e pensamentos. Se temos sede de justiça, certamente Deus
fará justiça, não segundo os critérios humanos. A Palavra de Deus
profetiza: "Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto;
então, o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será
reputado por um bosque; e o juízo habitará no deserto, e a justiça
morará no campo fértil. O efeito da justiça será paz, e a operação
da justiça, repouso e segurança, para sempre" (Is 32.15-17).
Isso significa que existirão novos céus e nova terra com um governo
justo e eterno - e estamos aguardando esse reino (Is 65.17; 2Pe
3.13).
Podemos estar certos de que a existência de Deus está comprometida
com a justiça imparcial. Aqueles que se adiantam hão de reconhecer
o seu erro.
ANTROPOMORFISMO
É tão difícil compreender Deus quanto compartilhar um sabor para
alguém que nunca provou determinado prato ou fruto. Para ultrapassar
essa barreira, Deus usou o antropomorfismo para se expressar (antropomorfismo:
linguagem que usa a forma humana para explicar os atributos invisíveis
de Deus). Por meio dessa linguagem, temos um antegosto do que conheceremos
na eternidade: "Porque, agora, vemos como em espelho, em enigma;
mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então
conhecerei como também sou conhecido" (l Co 13.12).
Deus
possui atributos conhecidos por sua revelação: a Bíblia. Esses atributos
devem ser compreendidos respeitando os limites de nossa linguagem
e capacidade de entendimento. Talvez poderíamos ilustrar o grande
abismo entre Deus e a humanidade comparando o homem e o animal.
O animal tem algum instinto que reflete a qualidade humana do amor,
como, por exemplo, o cuidado que os pássaros têm com seus filhotes.
Contudo, a complexidade do amor humano é incomparável ao instinto
dos animais. Semelhantemente, temos o atributo de justiça, mas quantas
vezes falhamos em nossos julgamentos. Ainda que conheçamos os fatos,
o nosso poder para analisá-los e para conhecer a complexidade do
sentimento humano é limitado.
Deus possui atributos comunicáveis, isto é, que podem ser compartilhados
com sua criação inteligente. Esses atributos são mais fáceis de
entender quando temos algum conhecimento prático deles. Mas Deus
possui ainda atributos incomunicáveis, ou seja, atributos que a
criatura não tem ou não pode ter. Sendo assim, podemos compreender
apenas superficialmente tais atributos. Por isso a nossa necessidade
de estudarmos teologia.
No próximo artigo, consideraremos os atributos de Deus. Conheceremos
os conceitos dos atributos comunicáveis de Deus e dos atributos
incomunicáveis, aqueles que somente Ele possui. Então, não deixe
de ler o nosso estudo!
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A expressão mais profunda e paradoxalmente simples a respeito de
Deus foi proferida por Jesus "Deus é Espírito, e importa que
os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (Jo 4.24).
Está envolvido nessa proposição o fato de que Deus é imaterial,
ou seja, nenhuma das propriedades da matéria pode ser-lhe atribuída.
Além disso, está posto que o ser humano pode interagir com Deus.
Duas verdades que nortearão nosso terceiro estudo sobre Deus.
As religiões e filosofias pagãs têm feito
afirmações sobre Deus que levam a conceitos extremos e não podemos
cair nos erros extremistas do paganismo. Alguns afirmam que Deus
é transcendental de tal magnitude que jamais poderemos conhecê-lo,
ou que, por outro lado, está tão presente que Ele mesmo seja a matéria
existente. O deísmo e o panteísmo são extremos opostos. O cristianismo
concorda que Deus possui atributos que jamais poderemos experimentar,
portanto, não o compreendemos. Contudo, sendo Ele (Deus) uma Pessoa,
pode interagir com sua criação. Essas são as premissas de nosso
estudo: se Deus é Espírito, então jamais poderíamos conhecê-lo mediante
nossos próprios recursos, o que é a mais pura verdade. Contudo,
o Senhor Deus se revelou a nós, e isso não pode ser negado, pois,
para tanto, o Senhor Deus usou seus próprios recursos!
Deus
é Espírito
Ao revelar-nos que Deus é Espírito, as Escrituras definem que não
podemos designar nenhum atributo humano ou material à essência divina;
não podemos usar ferramentas humanas ou materiais para mensurá-lo.
Qualquer alusão a Deus ou à Trindade, em termos humanos ou materiais,
seria apenas uma analogia limitada, um antropomorfismo, conforme
estudamos no artigo anterior. A palavra espírito (xrw, pneuma)¹
significa ar em movimento, fôlego; símbolos da natureza invisível,
mas real². Tais palavras, quando aplicadas a Deus, indicam a realidade
de sua existência e, portanto, sua transcendência. Já notamos então
que o Senhor Deus difere de sua criação. Assim, podemos somente
ter uma idéia de Deus conforme Ele próprio esboce para nós. Voltemos
às Escrituras para ouvir o que o Senhor Deus diz de si mesmo.
Eternidade bem presente
A infinidade de Deus quanto ao espaço é chamada onipresença e quanto
à duração é chamada eternidade. Para Deus não há nenhuma dificuldade
entre o passado, o presente e o futuro - "de eternidade a eternidade,
tu és Deus" (SI 90.2). "... Mas tu és o mesmo..."
(SI 102.25-27). A eternidade está aos seus pés (Is 57.15). O que
essas passagens e outras ensinam é que Deus está sobre ou fora do
tempo, isto é, não recebe nenhuma influência dele, antes, governa
sobre o tempo. Deus conhece todas as coisas - ... não há outro Deus,
não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio,
e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam..."
(Is 46.9,10).
Enquanto Deus é imutável, sua criação tem mudado.
Onipresença. Deus está em todos os lugares, mas Ele não é todos
os lugares
Deus é onipresente, isto é, não é limitado ao espaço físico. Mas
Ele não é tudo o que existe, conforme afirma o panteísmo. Os céus
e a terra, e tudo o que neles há, são obras de suas mãos, e não
extensão de si mesmo, pois, antes de criar todas as coisas, Ele
sempre existiu (Gn 1.1). Há uma diferença entre estar presente e
habitar, segundo as Escrituras nos ensinam. Como nada pode fugir
à presença de Deus (Sl 139.7-10) ou estar fora de seu controle (Jr
23.23-24), o mundo ímpio não pode esconder-se de Deus. Contudo,
Deus habita somente com sua Igreja, com aqueles que o buscam verdadeiramente
(Is 66.1-4).
Onipotência.
Deus está no controle de toda a sua criação
O panteão pagão é limitado e depende de ferramentas para fazer qualquer
coisa. Cada Deus pagão está relacionado a uma especialidade ou elemento
natural (água, fogo, terra, ar) e seus derivados. São como os super-heróis
das histórias infantis. O Deus verdadeiro não! Ele não depende de
circunstâncias, ferramentas ou bom tempo para agir. O Senhor Deus
apenas fala e sua palavra não volta vazia (Is 55.11). "Pela
fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados;
de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente"
(Hb 11.3). Depois de ter criado tudo, o universo e a terra e todas
as coisas, não se cansou (Is 40.26-28).
Onisciência. Conta o fim primeiro
Deus não somente exerce controle sobre todas as coisas criadas como
também tem conhecimento de todas as coisas, e até mesmo de suas
variáveis - chamamos esse atributo de onisciência. Ele não precisa
conjecturar, arriscar. Não está em constante progresso e nem mesmo
alcançou algum progresso, pois Ele é conhecedor de todas as coisas,
de eternidade a eternidade. Ele é o mesmo (Is 48.12). A obra de
Deus geralmente é mencionada nas Escrituras como tendo lugar antes
da fundação do mundo (Mt 25.34; Jo 17.24; Ef 1.4; 1 Pe 1.20; Ap
13.8). O Senhor Deus tem um conhecimento universal, global e pessoal.
Isso é visto no ministério de Jesus, quando Ele falava às pessoas,
pois demonstrava ter conhecimento amplo a respeito de todos (Jo
2.25,13.19,14.29). Aliada à sua onisciência, sua sabedoria, que
não é experimentada ou adquirida através do tempo ou da pesquisa.
O Senhor Deus é sábio, e tudo o que Ele faz é bom porque é feito
com sabedoria.
Soberania. Reis dos reis
A soberania de Deus é também um de seus atributos? Sim. A Ele cabe
o direito de governar o Universo. Uma vez que criou todas as coisas,
sustenta todas as coisas, e conhece todas as coisas, e cabe a Ele
o direito de orientar e governar sua criação. Sua criação é ampla
e multiforme, o que indica que nós também podemos ser diferentes
sem comprometer a ordem das coisas. O ideal humano coincide com
o ideal de Deus. As duas leis que governam o reino de Deus são bem
conhecidas, embora pouco praticadas: amar a Deus sobre todas as
coisas e ao próximo como a si mesmo (Mc 12.29-31).
Nenhuma criatura poderá compartilhar os atributos
incomunicáveis de Deus. Ainda que alcancemos o arrebatamento ou
a ressurreição, jamais alcançaremos os atributos de Deus. Mesmo
que tenhamos um reflexo desses atributos, não o teremos em sua totalidade.
Possuímos algum poder ou força, temos adquirido algum conhecimento
e sabedoria, temos exercido alguma autoridade. Contudo, jamais conseguiremos
progredir como deuses. A diferença entre Deus e a humanidade é uma
questão de natureza. A natureza divina é absoluta e soberana; a
natureza humana é finita, conseqüência da criação, e distinta da
natureza divina. No entanto, existem atributos que a Divindade compartilha
conosco, e somos incentivados a prosseguir no aprimoramento desses
atributos comunicáveis. Como Pessoa, Deus quer se revelar pessoalmente
a nós - e essa manifestação nos transforma. Falaremos sobre isso
no próximo artigo.
Nota:
1. Palavra espírito em hebraico e grego.
2. Uma palavra de cautela, as testemunhas-de-jeová copiaram esse
mesmo argumento, contudo, afirmam que essas palavras devem ser entendidas
espiritualmente quando aplicadas a Deus e literalmente quando aplicadas
ao espírito humano - uma afirmação arbitrária.
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Deus é uma pessoa e, como tal, se relaciona com os seres humanos
que criou. Esse relacionamento somente é possível porque Deus compartilha
alguns atributos com sua criação. A narração da criação do homem
contém informações importantes para entendermos o que o Senhor compartilhou
com sua criação.
Vejamos, então:
"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos
céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil
que se move sobre a terra" (Gn 1.26).
O Dicionário Internacional do Antigo Testamento faz o seguinte comentário
sobre a expressão imagem e semelhança: "O vocábulo `semelhança',
ao invés de limitar a palavra `imagem', na verdade desenvolve esta
última e especifica seu sentido. O homem não é apenas uma imagem,
mas uma imagem de semelhança Ele não é apenas representativo, mas
representação. O homem é o representante visível, corpóreo, do Deus
invisível, incorpóreo. A palavra semelhança assegura que o homem
é um representante adequado e fiel de Deus na terra".¹
O foco não está nos traços físicos e materiais, mas nos traços que
somente o homem possui: a pessoa, coisa impossível aos seres (animais)
irracionais. A capacidade de representação do homem como pessoa,
de interagir com o Criador, é que está em foco. Embora os animais
possam ser usados para representar os atributos da Divindade (Ez
10.14), somente o homem pode representar a Pessoa de Deus. Além
disso, para que o homem possa representar a Deus é necessário que
receba os atributos comunicáveis de Deus. E isso só pode ocorrer
por meio de uma profunda comunhão.
Ao nos voltarmos para Jesus como o homem perfeito, verificamos que
Jesus, como homem, recebeu de Deus sua perfeita vontade (Jo 5.19).
Espera-se do homem que manifeste o caráter de Deus em todas as áreas
de sua vida: trabalho, lazer e família.
Podemos adicionar que esse é o principal motivo para não termos
objetos de escultura ou imagens de Deus; pois a criação nunca poderá
representar o Criador. Se o homem não pode representá-lo fisicamente,
muito menos qualquer escultura das coisas criadas. A passagem bíblica
do bezerro de ouro ilustra a insensatez de fazer uma imagem com
o intuito de representar a Deus. Embora tivessem usado um bezerro
(indicando força ou poder) de ouro (indicando majestade), tal atitude
fora rejeitada como abominação (Êx 20.4-6; Dt 4.23-24). Contudo,
o ser humano - a pessoa humana - fora criada segundo a imagem e
semelhança de Deus! Isso não é maravilhoso?
Então, em que sentido o homem fora criado à imagem e semelhança
de Deus? Por meio dos atributos que Deus compartilhou com o homem,
este recebeu a capacidade para interagir com Deus. Por isso o ser
humano tem a responsabilidade de buscar a Deus, seu Criador. O que
era impossível ao homem já foi realizado por Deus, que se revelou
por meio das Escrituras e manifestou o plano de salvação mediante
o evangelho de Cristo. Então, os meios de salvação e comunhão com
Deus não estão fora do alcance humano; somos, portanto, responsáveis
(Rm 10.6-11).
Devemos observar também que a verdadeira comunhão com Deus não será
alcançada pelo gnosticismo, misticismo ou evolução. Alguns movimentos
afirmam que somente pelo conhecimento haverá salvação. Afirmam que
possuem conhecimento exato da Bíblia e são exclusivistas quanto
à salvação. Outros afirmam que a salvação será alcançada pelo simples
ato de esvaziar a mente e buscar o "eu" interior. Outros,
ainda, afirmam que o ser humano pode chegar a ser um deus. "Como
o homem é hoje, Deus foi um dia; como Deus é hoje, o homem pode
vir a ser". Tais ensinos não refletem o que Deus realmente
requer.
ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS
O ser humano é formado de vários fatores: volição, personalidade,
influência do meio ambiente, moralidade, entre outros. Tais fatores
formam o caráter: Deus interage com o homem, formando o seu caráter
no homem. Isso pode ser aplicado a uma pessoa individualmente ou
a uma nação. O povo de Israel foi formado como obra do oleiro (Jr
18.6). As Escrituras contêm a Palavra que pode habilitar o homem,
formando-o em um obreiro (2Tm 3.16-17). O ser humano não pode esquadrinhar
profundamente o caráter de Deus, mas, apesar disso, Deus se revela
ao homem. É necessário que tenhamos uma comunhão infinita e um enchimento
infinito-mas nunca seremos independentes de Deus.
Os atributos comunicáveis de Deus são absolutos, isto é, completos
e imutáveis, mas a assimilação do ser humano é gradual e infinita.
Em Deus, cada atributo será completo; no homem, sempre parcial e
infinitamente crescente. Exatamente porque percebemos esses atributos
podemos e devemos buscar imitá-los. Podemos dividir os atributos
comunicáveis nas seguintes categorias: mentais, morais e "belo"
(existem outras categorias e subcategorias que não temos espaço
para comentar).
Nos atributos mentais de Deus encontramos: conhecimento, sabedoria
e fidelidade. Ele possui todo o conhecimento em um mesmo momento
(Is 46.9-10). Não há outro que possa aconselhá-lo (1 Co 2.16), pois
o próprio Senhor fundou todas as coisas com sabedoria (Pv 3.19).
Somente Deus é fiel em absoluto, não podendo negar-se a si mesmo
(2Tm 2.13; Ap 19.11). Embora não alcance o absoluto, o ser humano
percebe esses atributos e eternamente receberá de Deus exemplo e
instrução. Deus é fiel a si mesmo e não há outro. Devemos ser fiéis
a ele para que possamos usufruir da verdadeira fidelidade, conhecimento
e sabedoria.
Dentre os atributos morais podemos destacar o amor - 0precisamos
amar ao próximo como Cristo nos amou (Jo 13.34); a justiça - devemos
confiar nele toda a justiça (Tg 1.20; Jr 20.12); e a santidade -
é necessário buscarmos a santidade em nossos relacionamentos com
Deus, com a família e com o próximo (Lv 203;1Pe 1.16). A santidade
não é apenas um ascetismo particular, mas uma prática social.
Incluiremos também entre os atributos o "belo"
(aquilo que é bom) porque foi buscado pela filosofia grega como
sendo o grande ideal humano. E hoje, também, é alvo do consumismo
insaciável. O que desejamos é demonstrar que o "belo"
como um atributo de Deus é absoluto e verdadeiro. Diferente das
filosofias do ideal humano e do consumismo que são egocêntricos,
o "belo" de Deus é altruísta. A humanidade tem caminhado
diametralmente oposta ao conceito que Deus tem sobre o "belo".
Desde o princípio, todas as coisas criadas por Deus são boas. "Viu
Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom" (Gn 1.31).
Ele não criou para si mesmo, mas para nós. Ele não precisa se alimentar,
contudo criou para nós uma variedade de frutas e alimentos. Sua
obra é altruísta.
O alvo cristão é refletir sobre os atributos comunicáveis de Deus.
Esses atributos foram demonstrados em Cristo. Então, temos um excelente
exemplo. Não se trata apenas de exemplo, pois, por meio do Espírito
Santo que habita no salvo, o caráter de Cristo pode e deve ser desenvolvido.
E isto vem pelo ouvir e praticar a Palavra de Deus (Rm 10.17).
No próximo e último estudo sobre teologia
(doutrina de Deus) examinaremos um dos assuntos mais sublimes das
Escrituras e o mais disputado pelas seitas: a Trindade. Falaremos
a respeito do relacionamento interno das Pessoas da Trindade e como
essa doutrina é revelada no Antigo e no Novo Testamentos. Não perca!
Nota
1 Editora Vida Nova. Edição 1998. p. 316.
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Visto
que a doutrina da Trindade é atacada por muitas seitas e deturpada
com muitas heresias, é necessário entendermos o seu significado.
Aqueles que crêem na Trindade são chamados de trinitarianos ou trinitários.
Para os trinitarianos, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são
três deuses, como interpretam muitas seitas. Aqueles que criticam
a doutrina da Trindade dizem que ela afastou a adoração sob o aspecto
do monoteísmo primitivo. Deus não é dividido em três partes, mas
são três pessoas distintas, sendo que cada uma delas tem o mesmo
poder separadamente. Todavia, o fato de serem três pessoas não significa
que são três deuses.
A doutrina da Trindade é malcompreendida entre os círculos cristãos
e, devido à complexidade do termo, seu estudo é abandonado. O vocábulo
trindade é usado para expressar duas opiniões diferentes. Ou seja,
refere-se à tríplice manifestação de Deus, mas também ao seu modo
triúno de existir. Devemos entender que esses conceitos podem causar
confusão quando proferidos por uma só palavra. Tão grande é a diferença
de definição entre elas que daremos a cada conceito um nome próprio.
TRIUNIDADE E TRINDADE
Trindade é um termo técnico, não se encontra na Bíblia, como muitas
outras palavras. É o caso de palavras tais como: Hamartiologia,
Paracletologia e Cristologia. Todavia, suas doutrinas são largamente
ensinadas.
A palavra trindade significa a tríplice manifestação de Deus ou
a sua manifestação no Pai, no Filho e no Espírito Santo. A palavra
triunidade conceitua a existência das três pessoas em um único Deus.
Dessa forma, existe em Deus três personalidades diferentes e divinas,
mas iguais na natureza. Contudo, não há três deuses: há um só Deus.
A despeito desse modo triúno de Deus existir e de se revelar, o
Antigo Testamento ressalta a unidade de Deus. É o monoteísmo prático,
a definição de que Deus é um. A palavra unidade é invariavelmente
reproduzida no Antigo Testamento. Em meio a tantas nações idólatras,
que adoravam a vários deuses, fazia-se necessário persistirem fazer
o povo de Israel venerar apenas um Deus. Este fato motivou o Antigo
Testamento a realçar a unidade de Deus.
O Novo Testamento ensina que são três pessoas
divinas, distintas, eternas e iguais subsistindo numa só essência.
E também que Deus é uma Trindade simples, mas tríplice, no seu modo
de existir e de se revelar.
Se as Escrituras realmente embasam estas declarações sobre a Trindade,
esta doutrina deve fazer parte do ensino ortodoxo cristão e todo
cristão fica obrigado a defendê-la, vigorosamente (Jd 3). Por ser
uma das doutrinas mais atacadas pelas seitas, por isso mesmo prosseguiremos
abordando o tema respondendo a algumas objeções destacadas pelo
grupo religioso que mais ataca esse ensinamento bíblico. Obviamente,
estamos falando das Testemunhas de Jeová.
A
TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO
a) Gênesis 1.26,27
Chegando o momento de criar o homem, Deus
disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança".
O verbo "fazer", neste caso, aponta para um ato criativo,
e somente Deus pode criar. Assim, ao ser criado, o homem não poderia
ter a imagem de um anjo ou de qualquer outra criatura, mas a imagem
de Deus, a imagem de seu Criador. No versículo 27, lemos: "E
criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem
e mulher os criou". O interessante, porém, é que a Bíblia diz
que Jesus Cristo também criou todas as coisas, as visíveis e as
invisíveis (Jo 1.1,3; Cl 1.16,17; Hb 1.10), o que inclui necessariamente
o homem. Desse modo, concluímos, à luz da Bíblia, que Jesus é o
Criador do homem, logo, o homem carrega a imagem de Cristo, pois
Jesus é Deus, uma vez que "à imagem de Deus" o homem fora
criado. Já em Jó 33:4, Eliú declara: "O Espírito de Deus me
fez". Indagamos; afinal de contas, quem fez o homem? A Bíblia
diz: "E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o
criou". E quem é este Deus? Resposta: o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. É digno de nota que há outros textos em que Deus fala no
plural: Gênesis 3.22;11.7-9; Isaías 6.8. Alguns dizem tratar-se
de plural de majestade, ou seja, é uma forma de expressão na qual
o indivíduo fala do plural que não revela necessariamente uma pluralidade
participativa. Todavia, isto não funciona em Gênesis 1.26,27, pois
outros textos bíblicos deixam claro que o Pai, o Filho e o Espírito
Santo criaram o homem; logo, não está em jogo nenhum plural de majestade,
mas um ato criativo de Deus, ou seja, o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. Os demais textos, portanto, devem ser interpretados seguindo-se
essa mesma linha de raciocínio.
b) Deuteronômio 6.4
"Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová" (Tradução
do Novo Mundo - versão utilizada pelas testemunhas-de-jeová). Este
texto é usado para desacreditar a doutrina da Trindade, mas, ao
contrário disso, é o trecho que prova que na unidade de Deus existe
uma pluralidade, dando abertura à concepção trinitariana. Como assim?
Na língua hebraica, existem duas palavras para expressar unidade:
echad e yachid. A primeira designa uma unidade composta ou plural.
Exemplo: Gênesis 2.24 diz que o homem e a mulher seriam uma (echad)
só carne, ou seja, dois em um. A segunda palavra é usada para expressar
unidade absoluta, ou seja, aquela que não permite pluralidade. Exemplo:
Juízes 11.34 diz que Jefté tinha uma única (yachid) filha. Qual
dessas palavras é empregada em Deuteronômio 6.4? Echad, que indica
que na unidade da Divindade há uma pluralidade.
A
TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO
A revelação da Triunidade de Deus no Antigo Testamento não é tão
clara quanto no Novo Testamento. Os textos bíblicos que seguem (respeitando-se
os devidos contextos) mostram sempre juntos o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. Levando-se em conta que Deus é único (Is 43.10) e que ele
não partilha sua glória com ninguém (Is 42.8; 48.11), é interessante
notar como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são postos em pé de
igualdade, coisa que nenhuma criatura, por melhor que fosse, poderia
atingir, nem muito menos uma "força ativa" (agente passivo).
a) Mateus 28.19
A ordem de Jesus é para batizar em "nome do Pai, e do Filho,
e do Espírito Santo". Ora, se Jesus fosse uma criatura e o
Espírito Santo uma "força ativa" (como pregam as testemunhas-de
jeová), seria estranho que as pessoas fossem batizadas em nome do
Criador (que não divide sua glória com ninguém), em nome de um anjo,
e em nome de uma "força ativa"; aliás, que necessidade
há em batizar alguém em nome de uma "força"? Tudo isto
só faz sentido se Jesus e o Espírito Santo forem Deus, assim como
o Pai também é Deus.
b) Lucas 3.22
No batismo do Filho, estão presentes o Espírito Santo e o Pai. Como
sempre, inseparáveis. Esta é uma das razões pelas quais o batismo
cristão deve ser ministrado em nome das três pessoas.
c) João 14.26
Jesus fala do Espírito Santo, que será enviado pelo Pai em seu próprio
nome, ou seja, no nome de Cristo.
d) 2Coríntios 13.13
Outra fórmula trinitária em que aparece o Filho em primeiro lugar
com sua graça; depois, o Pai, com seu amor; e, finalmente, o Espírito
Santo, com a comunhão ou participação que dele procede.
e) 1 Pedro 1.1,2
Pedro fala aos escolhidos eleitos pela presciência do Pai, santificados
pelo Espírito Santo e aspergidos com o sangue de Jesus Cristo.
f) Outros versículos -Rm 8.14-17; 15.16,30; 1Co 2.10-16; 6.1-20;
12.4-6; 2Co 1.21,22; Ef 1.3-14; 4.4-6; 2Ts 2.13,14; Tt 3.4-6; Jd
20,21; Ap 1.4,5 (Cf. 4.5), além de outros.
É
digno de nota que se o Filho fosse uma criatura e o Espírito Santo
uma "força ativa", os dois não poderiam assumir o primeiro
lugar em algumas passagens bíblicas citadas. Aliás, o que uma "força
ativa" estaria fazendo no meio de duas pessoas? As testemunhas-de-jeová
objetam dizendo que mencionar as três Pessoas juntas não indica
que sejam a mesma coisa, pois Abraão, Isaque e Jacó (Mt 22.32),
e também Pedro, Tiago e João (Mt 17.1) sempre são citados juntos;
contudo, isso não os torna um. O que elas não perceberam foi o seguinte:
Abraão, Isaque e Jacó tinham algo em comum: o patriarcado. Já Pedro,
Tiago e João tinham em comum o apostolado. E o que o Pai, o Filho
e o Espírito Santo têm em comum? Resposta: a natureza divina ou,
simplesmente, a divindade.
O quadro a seguir nos ajudará a ver como a doutrina da Trindade
originou-se das Escrituras. A lista não é exaustiva, somente ilustrativa.
Assim, finalizamos, com a graça de Deus, este
estudo, com cinco artigos, sobre teologia.***
Fonte: Jesus Site
Artigo publicado em 5 partes
na REVISTA DEFESA DA FÉ.
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