A
Parábola da Figueira
Autor: Norbert Lieth
"Aprendei, pois, a parábola
da figueira: quando já os seus
ramos se renovam e as folhas brotam,
sabeis que está próximo o verão.
Assim também vós: quando virdes
todas estas coisas, sabei que
está próximo, às portas. Em verdade
vos digo que não passará esta
geração sem que tudo isto aconteça.
Passará o céu e a terra, porém
as minhas palavras não passarão"
(Mt 24.32-35).
Além da oliveira, da videira e
do espinheiro, a figueira é uma
ilustração de Israel, do judaísmo.
Essas quatro "árvores"
são mencionadas em uma passagem
de Juízes (9.8-15).
Além delas, também a romã é uma
representação do povo judeu. Certamente
a passagem bíblica que exprime
com maior precisão que a figueira
é uma ilustração de Israel está
em Oséias 9.10, onde Deus, o Senhor,
diz: "Achei a Israel como
uvas no deserto, vi a vossos pais
como as primícias da figueira
nova..." É o que também se
vê claramente em Jeremias 24.3-7:
"Então, me perguntou o Senhor:
Que vês tu, Jeremias? Respondi:
Figos; os figos muito bons e os
muito ruins, que, de ruins que
são, não se podem comer. A mim
me veio a palavra do Senhor, dizendo:
Assim diz o Senhor, o Deus de
Israel: Do modo por que vejo estes
bons figos, assim favorecerei
os exilados de Judá, que eu enviei
deste lugar para a terra dos caldeus.
Porei sobre eles favoravelmente
os olhos e os farei voltar para
esta terra; edificá-los-ei e não
os destruirei, plantá-los-ei e
não os arrancarei. Dar-lhes-ei
coração para que me conheçam que
eu sou o Senhor; eles serão o
meu povo, e eu serei o seu Deus;
porque se voltarão para mim de
todo o seu coração."Além
disso, a figueira contém um sentido
profético muito profundo, o que
se vê claramente nas palavras
proféticas de Jesus quando fala
da Sua vinda: "Aprendei,
pois, a parábola da figueira:
quando já os seus ramos se renovam
e as folhas brotam, sabeis que
está próximo o verão. Assim também
vós: quando virdes todas estas
coisas, sabei que está próximo,
às portas" (Mt 24.32-33).
A seguir vamos analisar a figueira
Israel à luz profética da Bíblia,
perguntando-nos o que podemos
aprender dela: "Aprendei,
pois, a parábola da figueira..."
Três simbolismos chamaram a minha
atenção e quero compartilhá-los
a seguir:
Primeira representação: a figueira
como mestre que ensina o caminho
certo, o caminho para a justiça
verdadeira, legítima e permanente
Onde a figueira (Israel) aparece
pela primeira vez na Bíblia?
Talvez alguns leitores dirão que
encontramos em Gênesis 12 o chamamento
de Abraão como primeiro hebreu,
seguido pelo seu filho Isaque
e pelo seu neto Jacó, cujo nome
foi mudado por Deus para Israel
em Gênesis 32.28: "Então
disse: Já não te chamarás Jacó,
e sim Israel, pois como príncipe
lutaste com Deus e com os homens
e prevaleceste."
É correto que o nome Israel aparece
aqui pela primeira vez. Mas eu
creio que a figueira (Israel),
na profundidade profética dos
desígnios da salvação de Deus
("Aprendei, pois, a parábola
da figueira..."), já aparece
nas primeiras páginas da Bíblia,
isto é, em Gênesis 3.7: "Abriram-se,
então, os olhos de ambos; e, percebendo
que estavam nus, coseram folhas
de figueiras e fizeram cintas
para si."
Segundo o meu entendimento, encontramos
aqui a primeira menção de Israel
como figueira na Bíblia, ou seja,
o Israel da lei, que apenas pode
cobrir o pecado.
Além da árvore da vida e da árvore
do conhecimento do bem e do mal
(Gn 2.9), a figueira ("...coseram
folhas de figueira e fizeram cintas
para si") é a única árvore
do jardim do Éden mencionada pelo
nome.
Para mim, a menção da figueira
já nas primeiras páginas da Bíblia
(ao lado de inúmeras outras árvores
paradisíacas criadas por Deus,
cujos nomes não são citados) é
uma gloriosa figura da eleição
de Israel: "...o Senhor,
teu Deus, te escolheu, para que
lhe fosses o seu povo próprio,
de todos os povos que há sobre
a terra" (Dt 7.6).
Adão e Eva haviam pecado e, em
conseqüência, reconheceram que
estavam nus. Então eles apanharam
folhas de figueira e cobriram
sua nudez com essas folhas. Entretanto,
assim eles somente puderam cobrir
a sua culpa, mas não puderam obter
o perdão do seu pecado. Para isso
foi necessário um sacrifício de
sangue: "Fez o Senhor Deus
vestimenta de peles para Adão
e sua mulher e os vestiu"
(Gn 3.21) Isso significa que Deus
matou dois animais e, com sua
pele, cobriu a nudez dos dois
primeiros seres humanos. O sangue
derramado nesse ato serviu para
o perdão do pecado.
Portanto, já nas primeiras páginas
da Bíblia é revelado profeticamente
todo o Plano de Salvação. Ali
ele ainda está envolto em mistério,
mas no decorrer de outras revelações
posteriores tornou-se cada vez
mais nitidamente visível.
O que aprendemos disso?
1. As folhas da figueira apontam
para uma outra salvação, que é
melhor e mais
2. Em Hebreus 7.19 está escrito:
("...pois a lei nunca aperfeiçoou
coisa alguma), e, por outro lado,
se introduz esperança superior,
pela qual nos chegamos a Deus."
Mas quem é a esperança superior,
acima da lei? O sacrifício providenciado
por Deus em Jesus Cristo na cruz!
Segundo o meu entendimento, as
cintas de folhas de figueira indicam
a necessidade de uma vestimenta
mais definitiva, que exigia um
sacrifício com sangue, uma esperança
superior. Depois que Adão e Eva
pecaram, imediatamente souberam
que estavam nus e que deviam cobrir-se:
"... coseram folhas de figueira
e fizeram cintas para si."
Mas isso não foi suficiente diante
do Deus santo. Por isso, cheio
de misericórdia, Ele matou dois
animais e "fez o Senhor Deus
vestimenta de peles para Adão
e sua mulher e os vestiu."Exatamente
este é o sentido e a finalidade
de Israel no Plano de Salvação.
A figueira Israel, do começo até
o fim, aponta para a salvação
superior em Jesus Cristo, o Grande
Sacrifício da Justiça de Deus.
Em Israel nos foi dada a lei.
Mas por meio dela reconhecemos
que somos pecadores e carecemos
da graça de Deus. Outrora Adão
e Eva tomaram as folhas da figueira,
mas perceberam que essas cintas
feitas por eles mesmos não podiam
salvá-los do pecado que haviam
cometido e que necessitavam de
outra salvação.
Quase toda a Epístola aos Hebreus
mostra que o antigo Israel, em
todos os seus procedimentos, é
uma indicação para Cristo; que
todos os seus sacrifícios apontam
para o perfeito sacrifício de
Jesus na cruz, e que o sumo sacerdote
judeu da Antiga Aliança é uma
referência ao Sumo Sacerdote verdadeiro,
definitivo e eterno: Jesus Cristo.
Israel sob a lei aponta para a
graça (Gl 3.24). Em Israel, sob
a lei, os pecados puderam ser
apenas cobertos (folhas de figueira).
Mas pelo sacrifício de Jesus,
com sangue – que maravilhosa boa
nova de salvação!! – os pecados
são perdoados e tirados. A respeito
lemos em Hebreus 9.26: "...Ora,
neste caso, seria necessário que
ele tivesse sofrido muitas vezes
desde a fundação do mundo; agora,
porém, ao se cumprirem os tempos,
se manifestou uma vez por todas,
para aniquilar, pelo sacrifício
de si mesmo, o pecado."
3. Pelas folhas da figueira vemos
que as obras da lei não podem
produzir a justiça que vale diante
de Deus
Em nenhum lugar isso é demonstrado
mais claramente do que na figueira
Israel.
Em todo o decurso da história
desse povo, Deus mostrou a todo
o mundo que a lei não pode salvar.
Mas justamente este é o grande
problema de Israel até hoje, pois
eles continuam pensando que podem
ser salvos pelas obras da lei.
A Bíblia, porém, ensina inequivocamente:
"...por obras da lei, ninguém
será justificado" (Gl 2.16).
Em Gálatas 3.10 isso é expresso
de maneira ainda mais precisa:
"Todos quantos, pois, são
das obras da lei estão debaixo
da maldição..." O apóstolo
Paulo dirigiu essas palavras profundamente
sérias em primeiro lugar aos crentes
na Galácia, que além da graça
em Jesus Cristo ainda queriam
assumir as leis do judaísmo. Como
Adão e Eva ("...coseram folhas
de figueira e fizeram cintas para
si)", hoje muitos procuram
alcançar o favor de Deus pela
observância da lei ou de exercícios
religiosos.
Conheci, por exemplo, um homem
que antes de se converter a Jesus
orava o "Pai Nosso"
150 vezes por dia. Todos que fazem
tais coisas se esforçam em vão,
pois assim estão realmente "...debaixo
da maldição".
Diante disso, como soa maravilhosa
a mensagem do sacrifício de Jesus
na cruz: "Cristo nos resgatou
da maldição da lei, fazendo-se
ele próprio maldição em nosso
lugar (porque está escrito (Dt
21.23): maldito todo aquele que
for pendurado em madeiro"
(Gl 3.13) – "fez o Senhor
Deus vestimenta de peles para
Adão e sua mulher e os vestiu."
Ele realizou uma salvação superior!
Hans Brandenburg disse certa vez:
O legalismo é o equívoco de trocar
o diagnóstico pela terapia...
Legalismo sempre é algo pela metade.
Em geral o homem escolhe um ponto
especial que está disposto a observar
e guardar, e então se apóia na
pressuposta observância dessa
lei e negligencia a comunhão com
Jesus.
Exatamente assim também Paulo
se expressa quando fala da figueira
Israel: "Porquanto, desconhecendo
a justiça de Deus e procurando
estabelecer a sua própria, não
se sujeitaram à que vem de Deus"
(Rm 10.3-4).
Qual é a sua situação?
Você já aceitou a graça?
No fundo, é tudo tão simples:
basta ir ao Senhor Jesus Cristo
e Lhe entregar toda a nossa vida.
Na verdade, este já é o passo
do arrependimento, quando reconhecemos:
"Eu sou um grande pecador".
É impossível mencionar todos os
pecados que cometemos em pensamentos,
palavras e ações durante nossa
vida.
Por isso, venha a Jesus Cristo
com toda a sua vida e diga a Ele:
"Eu sou um grande pecador.
Senhor, eu preciso de Ti para
toda a minha vida – para tudo
que houve, para tudo que é, e
para tudo que virá. Eu te aceito
agora como meu Salvador".
Então você experimentará repentinamente
o que é salvação verdadeira –
pois esta é a justiça em Jesus,
a justiça que tem valor diante
de Deus!
Já nas primeiras páginas da Bíblia
a figueira nos é mostrada como
uma ilustração de Israel, como
um livro didático de Deus ensinando
sobre a salvação verdadeira. Assim
como as folhas de figueira de
Adão e Eva indicavam o anseio
de salvação – e mais além o sacrifício
pleno e suficiente de Jesus Cristo
–, Israel nos é dado como um exemplo
que aponta para a graça redentora.
Por meio deste povo nos é mostrado
claramente o anseio por salvação
e a satisfação desse anseio em
Jesus Cristo.
Segunda representação: a figueira
como mestre que ensina sobre a
salvação
Em 2 Reis 20.5-7 o Senhor diz
ao Seu profeta Isaías: "Volta
e dize a Ezequias, príncipe do
meu povo: Assim diz o Senhor,
o Deus de Davi, teu pai: Ouvi
a tua oração e vi as tuas lágrimas;
eis que eu te curarei; ao terceiro
dia, subirás à Casa do Senhor.
Acrescentarei aos teus dias quinze
anos e das mãos do rei da Assíria
te livrarei, a ti e a esta cidade;
e defenderei esta cidade por amor
de mim e por amor de Davi, meu
servo. Disse mais Isaías: Tomai
uma pasta de figos; tomaram-na
e a puseram sobre a úlcera; e
ele recuperou a saúde."
O que aprendemos disso?
1. A figueira Israel existe para
salvação
2. Israel é como uma pasta de
figos, como remédio para a humanidade,
para todas as nações.
Mas não é em si mesmo que este
povo é salvação e bênção sobre
a terra. Israel só pode ser uma
ajuda para um mundo enfermo por
causa dAquele que vem de Israel
e se tornou o sacrifício para
o mundo: Jesus Cristo.
Este já foi o desígnio de salvação
de Deus com Abraão, quando falou
ao patriarca de Israel: "...em
ti serão benditas todas as famílias
da terra." (Gn 12.3b). Jesus
é o Salvador do mundo, mas foi
o judaísmo que o trouxe ao mundo.
Essa é a única razão de ser do
povo judeu, do qual o Eterno de
Israel fez vir Seu Filho Jesus
Cristo para salvação do mundo
inteiro!
Os botânicos descrevem a figueira
da seguinte maneira:
– "Tem tronco retorcido com
casca clara".
Em si mesmo, Israel é torto e
rebelde, mas resplandece por meio
de Jesus Cristo. Tive que pensar
em Moisés, que em si mesmo também
era "torto". Mas quando
retornava do encontro com Deus,
"a pele do seu rosto resplandecia"
(Êx 34.29).
– "A ramada se estende em
todas as direções e tem folhas
com cinco pontas".
Israel se tornou salvação para
todos os povos.
O Evangelho foi anunciado primeiramente
em Jerusalém, Samaria e Judéia,
mas depois, partindo de Israel
(figueira),
– para todas as direções, para
todos os povos.
Folhas com cinco pontas: cinco
é o número da graça. Uma pasta
de figos foi colocada sobre a
parte enferma do corpo de Ezequias
e ele foi curado. Jesus teve cinco
ferimentos que se tornaram a salvação
do mundo.
– Em Isaías 49.3 está escrito:
"... e me disse: Tu és o
meu servo, és Israel, por quem
hei de ser glorificado" (Is
49.3).
Aqui vemos a identificação de
Israel com seu Filho maior, Jesus
Cristo. A figueira Israel, em
conexão com Jesus, o Messias,
tornou-se a salvação para o mundo.
Por isso está escrito mais adiante:
"Sim, diz ele: Pouco é o
seres meu servo, para restaurares
as tribos de Jacó e tornares a
trazer os remanescentes de Israel;
também te dei como luz para os
gentios, para seres a minha salvação
até a extremidade da terra"
(Is 49.6).
Aqui a Palavra de Deus não se
refere mais a Israel propriamente,
mas Àquele que viria de Israel,
a Jesus Cristo: "... pouco
é o seres o meu servo, para restaurares
as tribos de Jacó e tornares a
trazer os remanescentes de Israel..."
Pois Israel não poderia restaurar
a si mesmo, nem poderia tornar
a trazer os remanescentes de si
mesmo.
E como a figueira Israel em si
mesma é torta, resplandecendo
somente em seu Messias, assim
também é evidente que as palavras
seguintes se referem ao Filho
maior de Israel: "... também
te dei como luz para os gentios,
para seres a minha salvação até
a extremidade da terra".
Por isso Jesus disse em João 4.22b:
"...a salvação vem dos judeus."
3. Profeticamente parece que já
se delineia também a futura salvação
de Israel – seu próprio restabelecimento
se avizinha
Voltemos novamente para o rei
Ezequias, que já estava diante
da morte, mas em lágrimas implorou
a cura ao Senhor.
Deus ouviu sua oração e ordenou
a Isaías: "Volta, e dize
a Ezequias, príncipe do meu povo:
Assim diz o Senhor, o Deus de
Davi, teu pai: Ouvi a tua oração
e vi as tuas lágrimas; eis que
eu te curarei; ao terceiro dia,
subirás à casa do Senhor. Acrescentarei
aos teus dias quinze anos e das
mãos do rei da Assíria te livrarei,
a ti e a esta cidade; e defenderei
esta cidade por amor de mim e
por amor de Davi, meu servo. Disse
mais Isaías: Tomai uma pasta de
figos; tomaram-na e a puseram
sobre a úlcera; e ele recuperou
a saúde" (2 Rs 20.5-7).
Assim como Ezequias, também Israel
ainda terá que enfrentar angústia
mortal.
Pois no tempo da Grande Tribulação
todas as nações da terra se voltarão
contra Israel e se reunirão em
Armagedom para destruí-lo totalmente.
Mas então esse povo, em agonia,
como Ezequias outrora, clamará
ao Senhor com suas últimas forças:
"Deus de Abraão, Isaque e
Jacó! Nosso Messias, vem e salva-nos
dos nossos inimigos!" Ele
ouvirá Seu povo e o salvará –
Israel poderá ir ao templo novamente
(pois Jesus levantará o templo
do Milênio) – Ele derrotará os
inimigos de Israel e protegerá
a cidade de Jerusalém.
A história de Ezequias se encaixa
no contexto das afirmações de
Deus sobre o futuro de Israel
e da vinda de Jesus. Assim talvez
já possamos ver, na pasta de figos,
por meio da qual a saúde de Ezequias
foi restabelecida, um paralelo
da figueira restabelecida em Mateus
24: "Aprendei, pois, a parábola
da figueira..." E a declaração:
"...no terceiro dia subirás
à casa do Senhor", é no mínimo
interessante.
Pedro disse: "Há, todavia,
uma cousa, amados, que não deveis
esquecer: que, para o Senhor,
um dia é como mil anos, e mil
anos, como um dia" (2 Pe
3.8).
Desde a primeira vinda de Jesus
a Belém já se passaram quase dois
mil anos (dois dias divinos).
Não é em vão que após 1948 anos
Deus fez de Israel novamente um
povo na Terra Prometida, e no
ano de 1967 lhe devolveu a cidade
de Jerusalém.
Será que Israel subirá novamente
à casa do Senhor no "terceiro
dia"?
Não sabemos o momento exato da
vinda de Jesus para a Sua Igreja,
nem o dia da Sua volta para Seu
povo Israel. Mas vemos e presenciamos
em nossos dias a restauração da
figueira: Israel é conduzido em
direção à sua cura. E nosso Senhor
prometeu expressamente: "Em
verdade vos digo que não passará
esta geração, sem que tudo isto
aconteça. Passará o céu e a terra,
porém as minhas palavras não passarão"
(Mt 24.34-35).
Terceira representação: a figueira
como mestre que ensina sobre os
desígnios proféticos da salvação
de Deus
Em Lucas 17.5-6 lemos: "Então,
disseram os apóstolos ao Senhor:
Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes
o Senhor: Se tiverdes fé como
um grão de mostarda, direis a
esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te
no mar; e ela vos obedecerá."
É preciso esclarecer que, conforme
diversos autores, a árvore aqui
chamada de amoreira é, na verdade,
o sicômoro, a figueira brava,
a mesma árvore em que Zaqueu subiu
para ver Jesus (Lucas 19).
Um dicionário da Bíblia diz a
respeito: "O sicômoro pode
atingir até 16 metros de altura
e alcança uma circunferência de
até 10 metros. A madeira é dura,
uniforme e muito durável e, depois
do cedro, é a melhor madeira para
carpintaria."O Senhor Jesus
apontou para uma árvore tão grande
e disse aos seus apóstolos, que
eram judeus: "Se tiverdes
fé como um grão de mostarda, direis
a esta amoreira: Arranca-te e
transplanta-te no mar; e ela vos
obedecerá."
Certamente podemos dizer que,
no sentido profético, isso se
cumpriu exatamente. Foi o que
realmente aconteceu com a figueira
Israel, que no tempo de Jesus
havia se tornado um povo orgulhoso.
Os israelitas foram desarraigados
da sua pátria judaica e lançados
no mar das nações.
Este foi um desígnio de salvação
de Deus e tornou-se uma bênção
para os povos. Por meio da fé
dos apóstolos, que eram judeus,
descendendo eles mesmos da figueira,
o Evangelho foi levado aos gentios.
A Bíblia fala em Atos 13.46-47
sobre essa transferência do Evangelho
de Israel para as nações: "Então,
Paulo e Barnabé, falando ousadamente,
disseram: Cumpria que a vós outros,
em primeiro lugar, fosse pregada
a palavra de Deus; mas, posto
que a rejeitais e a vós mesmos
vos julgais indignos da vida eterna,
eis aí que nos volvemos para os
gentios. Porque o Senhor assim
no-lo determinou (Is 49.6): Eu
te constituí para luz dos gentios,
a fim de que sejas para salvação
até aos confins da terra."
Ao desarraigamento espiritual
de Israel seguiu-se, então, também
o desarraigamento como nação:
no ano 70 d.C. os judeus foram
arrancados de sua terra e espalhados
por todo o mundo.
Os apóstolos tiveram a fé para
transplantar a bênção de Israel
para o mar das nações.
O Messias deles nos foi trazido
como o Cristo. Certa vez o Senhor
Jesus apontou para esse fato ao
dizer: "Portanto, vos digo
que o reino de Deus vos será tirado
e será entregue a um povo que
lhe produza os respectivos frutos"
(Mt 21.43).
O que parecia juízo – e, com certas
reservas, também o foi – tornou-se
uma bênção para os gentios.
Paulo fala a respeito em suas
palavras aos judeus, e assim explica
que, de acordo com Isaías 49.6,
isso foi necessário para se tornar
salvação e luz para todos os gentios.
Enquanto o sicômoro foi transplantado
ao mar das nações, nós nos tornamos
participantes da "bênção
e seiva salvadora" da figueira.
A esse respeito Paulo diz em Romanos
11.11: "Porventura, tropeçaram
para que caíssem? De modo nenhum;
mas, pela sua transgressão, veio
a salvação aos gentios..."Mas
Israel não continuará para sempre
com suas raízes arrancadas. A
palavra profética da Bíblia promete
à figueira seu restabelecimento
na terra dos pais – o que acontece
desde 1948 e continuará acontecendo
–, com o que também a bênção volta
para a terra e para o povo de
Israel.
A figueira novamente lançará raízes
e trará frutos.
Por isso Paulo continua dizendo:
"Ora, se a transgressão deles
redundou em riqueza para o mundo,
e o seu abatimento, em riqueza
para os gentios, quanto mais a
sua plenitude!" (v. 12).
Esse novo arraigamento da figueira
Israel na sua terra para restauração
espiritual e nacional também é
salientado em Romanos 9.26: "e
no lugar em que se lhes disse:
Vós sois o meu povo; ali mesmo
são chamados filhos do Deus vivo."
De que lugar se fala aqui? Da
terra de Israel!
Assim, finalmente tudo converge
na gloriosa promessa de Miquéias
4.4: "Mas assentar-se-á cada
um debaixo da sua videira e debaixo
da sua figueira, e não haverá
quem os espante, porque a boca
do Senhor dos Exércitos o disse"
(compare também Ageu 2.19).
O sentar-se debaixo da videira
e da figueira é uma maravilhosa
imagem de uma vida em paz assegurada.
Agora ainda não é assim, mas Israel
será levado a isso – no Milênio
de Jesus Cristo.
Já o reinado de Salomão apontou
para o Milênio, onde um dia reinará
paz: "Judá e Israel habitavam
confiados, cada um debaixo da
sua videira, e debaixo da sua
figueira, desde Dã até Berseba,
todos os dias de Salomão"
(1 Rs 4.25). Isso se cumprirá
de maneira completa quando Jesus
Cristo voltar ao Seu povo como
o Messias de Israel.
Por isso oramos: "Maranata
– vem Senhor Jesus!"
Extraído da revista Notícias de
Israel, setembro e outubro de
1999.