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Que Significa Estar Crucificado em Cristo?
Autor: Alexandre Alves Wrote
“Estou crucificado com Cristo. Assim,
já não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim.” Gálatas 2.20
Em nossos dias o que predomina é um
evangelho açucarado, feito algodão doce.
Algo que não custa caro e que atrai
desde as criancinhas aos mais idosos.
Mas, este evangelho de algodão doce,
não consegue satisfazer a justiça de
Deus nem os desejos essenciais do espírito
humano.
Uma vez apertado em uma das mãos, pouco
resta, a não ser um punhadinho de açúcar.
O Evangelho de Cristo também é doce,
mas é um Evangelho de carne e sangue.
É uma mensagem carregada de paixão e
que decreta a morte do pecador. O Evangelho
deixa bem claro, que a única sentença
para o pecador é a morte de cruz.
A essência de sua mensagem é: “que Cristo
morreu pelos nossos pecados, segundo
as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou
no terceiro dia, segundo as Escrituras”
I Co 15.3-5.
Um Evangelho que afronta o pecador,
pois denuncia a sua transgressão e pronuncia
a sua sentença. Também é a única mensagem
de vida e poder.
O apóstolo Paulo dizia: “A mensagem
da cruz é loucura para os que estão
perecendo, mas para nós, que estamos
sendo salvos é o poder de Deus” I Co.1.19.
Infelizmente este tipo de mensagem tem
se tornado rara nos púlpitos de nossos
dias.
A preferência é pela mensagem que trata
das necessidades dos homens e como Deus
pode satisfazê-las. Uma mensagem enfocada
no homem e não em Deus.
Porém, o Evangelho trata da vitória
de Deus sobre o pecado e da glória do
seu Reino.
O Evangelho é a descrição dos fatos
realizados por Deus por meio de Cristo,
para que fossemos reconciliados com
Ele. “Tudo isso provém de Deus, que
nos reconciliou consigo mesmo por meio
de Cristo... ou seja, que Deus em Cristo
estava reconciliando consigo o mundo,
não levando em conta os pecados dos
homens.” II Co 5.18-19.
Se os sermões e as mensagens estão vazias
dos eventos salvíficos, onde mais os
ouvintes poderão depositar a sua fé
a não ser em questões referentes aos
seus próprios interesses?
Por esta razão cabe aos que tem conhecido
o Evangelho da graça de Deus, se aprofundarem
no inesgotável significado da nossa
crucificação com Cristo.
Na época do Império Romano, quando alguém
era condenado à crucificação significava
que havia perdido o direito de existir.
A cruz era um instrumento utilizado
pelo Império Romano para expor à humilhação
os seus piores inimigos.
Era o símbolo máximo da vexação. Era
um sinal do que aconteceria aos demais
que desafiassem o poder de Roma.
Normalmente a pena era imposta aos transgressores
mais vis do Estado Romano: criminosos,
rebeldes e estrangeiros.
Um homem ao colocar a cruz sobre os
ombros sabia que era o seu fim. Não
haveria mais retorno à vida. Foi esta
a forma que Deus encontrou para por
fim à vida de Adão.
Jesus dizia que se o grão de trigo cair
na terra e não morrer, continuará só.
“Mas se morrer, dará muito fruto”. Jo
12.24. Jesus falava que sem morte do
velho não há manifestação do novo.
Assim vemos dois aspectos, o fim e o
começo, ou seja, o aspecto negativo
e o aspecto positivo. Estar crucificado
com Cristo implica em experimentar estes
dois lados:
1) Morto para o poder do pecado.
Significa que o pecado não tem mais
domínio sobre a minha vida. Pois a minha
natureza de pecado foi crucificada e
morta com Cristo. “Pois, sabemos que
o nosso velho homem foi crucificado
com ele, para que o corpo do pecado
fosse destruído, e não mais sejamos
mais escravos do pecado; pois quem morreu,
foi justificado do pecado.” Rm 6.6-7.
O corpo do pecado foi golpeado na cruz.
Como dizia Watchman Nee, por causa dos
feitos do corpo do pecado, Jesus sofreu
com uma coroa de espinho, as suas mãos
e seu lado esquerdo foram perfurados
e os pés pregados na cruz. O castigo
que nos traz a paz estava sobre ele.
2) Morto para a ação da Lei.
Sou aceito por Deus não pelo cumprimento
da Lei, mas pela fé no sacrifício de
Cristo, que satisfez toda justiça de
Deus. “Assim, meus irmãos, vocês também
morreram para a Lei, por meio do corpo
de Cristo, para pertencerem a outro,
àquele que ressuscitou dos mortos, a
fim de que venhamos dar a fruto para
Deus.” Rm 7.4.
A Lei que agia como um intransigente
marido sempre insatisfeito, perdeu o
seu cônjuge. Ao passar pela cruz, um
novo companheiro foi dado ao crente,
cujo nome é Jesus. As coisas não são
deixadas de lado. Pelo contrário, tudo
é feito muito bem, pois a motivação
é o amor.
3) Morto para a influência do mundo.
Posso viver na contra mão da história.
Não tenho necessidade de me adequar
aos valores, pelo contrário, devo coloca-lo
de cab eça para baixo com a pregação
do Evangelho. “Quanto a mim, que eu
jamais me glorie, a não ser na cruz
de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio
da qual o mundo foi crucificado para
mim, e eu para o mundo.” Gl 6.14.
Por meio da cruz de Cristo estou separado
do mundo e dos seus valores anti-Deus.
Este já não tem mais o poder de me transformar
em apenas um número do seu sistema.
Quer seja econômico, social ou midiático.
Deixei de ser uma “Maria vai com as
outras” para ser um revolucionário.
4) Recriado para uma vida nova.
Aqui entra o aspecto positivo da cruz.
“Portanto, fomos sepultados com ele
na morte por meio do batismo, a fim
de que, assim como Cristo foi ressuscitado
dos mortos mediante a glória do Pai,
também nós vivamos uma vida nova”. Rm
6.4.
A partir da revelação da minha morte
e ressurreição com Cristo não tenho
necessidade de ficar preso aos fatores
que marcaram a minha vida sem Cristo.
O passado e suas influências ficaram
para trás.“Portanto, se alguém está
em Cristo, é nova criação. As coisas
antigas já passaram; eis que surgiram
coisas novas!” II Co 5.17. Faço parte
de uma nova criação!
5) Recriado para a justiça.
A injustiça é uma das características
marcantes de uma natureza não regenerada.
“Ele mesmo levou em seu corpo, os nossos
pecados sobre o madeiro, a fim de que
morrêssemos para os pecados e vivêssemos
para a justiça” I Pe 2:24.
A energia que era usada outrora para
a prática do pecado é voltada para a
prática da justiça. “Vocês foram libertados
do pecado e tornaram-se escravos da
justiça” Rm.6.18.
Agora a justiça pode ser praticada em
todas as dimensões da vida humana. Nas
relações com os meus irmãos em Cristo,
nas relações familiares e pessoais a
justiça do Reino prevalece.
Frente às injustiças sociais, minha
atitude não precisa ser de indiferença,
pois posso dar minha pequena contribuição.
Através de pequenos gestos como doando
roupas, alimentos e servindo os mais
pobres, o mundo deixará de ser o mesmo.
6) Recriado para viver por fé.
A jornada do crente é pelo caminho da
fé, como também todo o seu progresso.“O
justo viverá pela fé” Rm 1.16. Somente
pela fé é que o regenerado se apropria
dos inesgotáveis tesouros escondidos
em Cristo Jesus.
Nele encontramos tudo o que precisamos
até completarmos a nossa carreira.
O círculo da vida vitoriosa começa com
fé: Fé – Palavra – Cristo - Vida Abundante.
E assim sucessivamente. Era por esta
razão que o apóstolo Paulo não se cansava
de dizer.“Estou crucificado com Cristo.
Assim, já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim. A vida que agora
vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho
de Deus, que me amou e se entregou por
mim.” Gl 2.19-20.
7) Recriado para expressar Cristo.
Deus quer fazer-se conhecido ao mundo
através da manifestação da vida de Cristo
em nós. “Porque neste mundo somos como
ele” I Jo 4.17.
O segredo para exalarmos o bom perfume
de Cristo é simples: “Trazendo sempre
em nosso corpo o morrer de Jesus, para
que a vida de Jesus também seja r evelada
em nosso corpo” II Co 4.10.
Somos vasos de barro contendo um precioso
tesouro. Ao levarmos a nossa crucificação
a sério, a vida do Senhor é vista pelos
olhos dos que nos cercam. Isso acontece
porque saímos da jogada e quem entra
em cena é o Senhor dos Senhores e Reis
dos Reis. Aquele que é Excelso.
Nada se compara ao Evangelho da Graça
de Deus. “Visto que fomos aprovados
por Deus, a ponto de nos confiar ele
o evangelho, assim falamos, não para
que agrademos a homens, e sim a Deus,
que prova o nosso coração.” I Ts 2.4.