Reverência
na adoração
Em
muitas ocasiões, participamos dos cultos apenas "de corpo
presente". Em outras situações, participamos em "espírito,
alma e corpo".
Desde
que comecei a escrever artigos sobre adoração venho comentando
alguns itens indispensáveis para o ato da adoração. Este texto
discutirá dois deles: a reverência e o temor. Todos devemos compreender
que sem reverência não poderemos adorar a Deus, e não poderemos
agrada-lo. Não é por acaso que alguns autores declaram que a adoração
nasce do temor a Deus.
A
reverência dos escribas
Vou
dar um exemplo de reverência. Estou certo de que todos já ouviram
falar ou já leram algo sobre os escribas (ou copistas) na Bíblia.
Na cultura hebraica, os escribas eram aqueles que escreviam as
leis. Eram eles que passavam os textos ditados e ouvidos para
o papel. Bem, todos aqueles que estudarem um pouco mais a fundo
o trabalho dos escribas saberão que eles tinham uma forma toda
especial de escrever o nome de Deus (Jeová). Cada vez que eles
ouviam o nome Jeová, eles pegavam outra pena (a caneta da época),
escreviam o nome de Deus e depois quebravam a pena para que ela
nunca mais fosse utilizada. Alguns dizem que essas penas eram
revestidas de ouro. Que interessante, não? Caro irmão, essa atitude
dos escribas expõe claramente a reverência e o temor que eles
tinham em relação a Deus. A nossa reverência
Depois
de ter lido muitos textos bíblicos sobre reverência (inclusive
a visão de Isaías no capítulo 6 de seu livro) me pus a questionar:
Será que nós, que fazemos parte da Igreja de Cristo, estamos tendo
reverência ao Deus todo poderoso? O que será que Deus está achando
de nossa adoração, de nossos cultos? Será que o Senhor da glória
está vendo em nós aquela sementinha de temor e reverência a Ele?
Qual é a atitude e a motivação do nosso coração quando nos chegamos
a Deus para adora-lo? Caro irmão, há alguns comentários que desejo
realizar.
Comentários
importantes...
Primeiramente,
o pecado não deve se tornar o "pecado nosso de cada dia".
Quando nossas transgressões tornam-se "normais", "banais"
e corriqueiras estamos caminhando contra a vontade de Deus. Sem
aquela busca incessante pela santidade não poderemos ser verdadeiros
adoradores, porquanto nosso pecado cheira mal diante do Santíssimo
Pai. O pecado do homem é um desrespeito a Deus!
Mas
vamos adiante. Ás vezes tratamos a Deus muito mal. Nossos próprios
cultos (que deveriam ser totalmente para Ele) acabam se tornando
momentos de lazer, de relaxamento, de petições e reclamações sem
fim. Nossa adoração se torna antropocêntrica, com músicas gostosas,
pregações bonitas e agradáveis, quando deveríamos mostrar reverência
a Deus, com nosso coração dizendo: como Deus é grandioso, como
é majestoso, Santo, Santo, Santo...
Às
vezes a presença do Convidado principal da noite é ignorada. Em
muitas ocasiões, participamos dos cultos apenas "de corpo
presente". Em outras situações, participamos em "espírito,
alma e corpo", mas preferimos colocar a conversa em dia com
irmão ao lado, reclamar da pregação que está muito longa ou dar
uma voltinha lá atrás da igreja para esticar as pernas. Caros
irmãos, muitas vezes estamos sendo irreverentes e insensíveis
sem percebermos!
Não
posso deixar de falar sobre os "pedintes espirituais".
Faço isso porque é assim que muitas pessoas têm se portado em
sua vida de adoração, achando que Deus é apenas uma muleta ou
um "pronto-socorro" melhorado. Obviamente todos sabemos
que Deus é refúgio, que Deus responde às orações e que Ele tem
muitas bênçãos a dar, mas se tratarmos a Deus somente como alguém
disposto a nos conceder a "benção", estaremos sendo
cegos insensíveis. É como se disséssemos aos nossos pais naturais:
"não estamos preocupados com você, só queremos as chaves
do teu carro para que possamos dar uma voltinha!". Que duro
para um pai ter que ouvir isso, não é? Mas às vezes é assim que
temos nos portado diante do Pai celeste, como "pedintes espirituais".
Deus é muito mais do que podemos imaginar! Ele merece toda gratidão,
louvor, reverência etc. Lembre-se disso da próxima vez que você
for entrar na presença de Deus em adoração. Sempre que estiver
se dirigindo ao culto congregacional tente imaginar a grandeza
e a majestade de Deus, e com certeza a sua adoração será diferente!
Conclusão
Querido
irmão, sei que ainda temos muito a debater sobre a reverência
na adoração e nos cultos da congregação. Nos próximos artigos
estarei falando sobre isso mais profundamente. Mas espero que
este texto tenha plantado uma sementinha em teu coração. Uma semente
que lhe trará a consciência de que o Deus a quem estamos servindo
é muito mais do que podemos imaginar! A Ele seja todo o temor,
reverência, admiração, respeito... pelos séculos dos séculos!
Um
abração em Cristo Jesus,
Ramon Tessmann